terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Nova cadeia vai ficar no concelho da Ribeira Grande


O Governo Regional decidiu ceder ao Ministério da Justiça um terreno, propriedade da Região, no concelho da Ribeira Grande, para a construção do novo estabelecimento prisional de São Miguel, revelou fonte do Executivo açoriano.

A Direcção Geral dos Serviços Prisionais vai agora proceder aos estudos necessários para a implantação do estabelecimento prisional na localização sugerida pelo Governo Regional. Em Setembro de 2007, o ministro da Justiça, Alberto Costa, anunciou durante uma visita aos Açores que o edifício onde funciona a cadeia da Boa Nova seria alienado e que um novo estabelecimento prisional seria construído em São Miguel, tendo em conta que o actual edifício não oferece condições dignas aos detidos, não tem capacidade suficiente e está mal localizado. Entretanto, em Dezembro de 2008, o presidente do Governo Regional revelou que o seu Executivo iria ceder ao Ministério da Justiça o terreno para a construção da nova cadeia na ilha de São Miguel. E, perante o anúncio, os deputados do PSD/Açores enviaram à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores um requerimento onde, partindo do princípio que o novo estabelecimento prisional se iria situar em Ponta Delgada, questionam o Governo Regional sobre se já consultou a Câmara Municipal de Ponta Delgada e a Junta de Freguesia interessada no processo. Em resposta ao requerimento, a Presidência do Governo Regional, sem nunca revelar a localização do novo estabelecimento prisional, afirma contudo que o terreno sugerido não está situado em Ponta Delgada e adianta que a cedência do terreno, no âmbito da cooperação do Governo Regional com outros órgãos de poder, será gratuita e que o terreno que o Governo se predispôs a ceder tem "a localização e as características apontadas pela Direcção Geral dos Serviços Prisionais", embora o PDM para a zona sugerida não preveja a edificação de estabelecimento prisional, refere-se ainda. O Ministério da Justiça prevê que seja necessário um investimento de 25 milhões de euros.Paula Gouveia

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Conclusão do Programa de Empreendedorismo nos Estabelecimentos Prisionais - Leiria


O Programa de Empreendedorismo para a Reinserção Social de Reclusos promovido pela GesEntrepreneur e implementado pela Direcção Geral dos Serviços Prisionais nas prisões de Leiria, Beja, Castelo Branco (regional e central) e Sintra encontra-se em fase de conclusão. Os reclusos que chegaram à fase final do programa encontram-se neste momento a apresentar os Planos de Negócio que construiram durante os 2 últimos meses do curso.Entre estes projectos encontra-se uma grande diversidade de negócios, desde cabeleireiros a empresas de jardinagem, passando por assistência a animais ou ainda comercialização de artigos têxteis.Espera-se agora que os formandos possam, assim que abandonem o estabelecimento prisional, transformar o seu projecto em negócio ou, pelo menos, alterar a sua atitude perante a vida, tomando o controlo do seu próprio destino. Todo este trabalho só foi possível graças ao elevado empenho da Direcção Geral dos Serviços Prisionais, em particular do Centro de Formação Penitenciária, bem como de todos os facilitadores envolvidos. A fotografia acima exposta diz respeito aos reclusos do Estabelecimento Prisional de Leiria que nos apresentaram os seus planos de negócio.

Bairro da Cova da Moura vai ser objecto de intervenção pela Cidadania e Igualdade de Géneros


O Moinho da Juventude lança domingo um projecto de promoção da cidadania e prevenção da delinquência no bairro da Cova da Moura, na Amadora, que inclui visitas de jovens a prisões, debates com forças de segurança e apoios a idosos.

O projecto, hoje tornado possível com a assinatura deste contrato-programa, visa promover a cidadania e igualdade de género, prevenir a delinquência juvenil e a violência no namoro, a inclusão social dos reclusos e ex-reclusos e a valorização da população mais idosa. Ainda sem datas para as várias iniciativas, o Moinho de Juventude pretende formar equipas que ajudem a fomentar a sociabilização e o recenseamento no terreno, uma análise dos pontos fracos e fortes da zona, o apadrinhamento de reclusos e a discussão da violência doméstica através da técnica de teatro fórum.
RTP2009-02-08 16:52:10

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

MicroCrédito

O que é um microcrédito?
O microcrédito é um pequeno empréstimo bancário destinado a apoiar pessoas que não têm acesso ao crédito bancário, mas querem desenvolver uma actividade económica por conta própria e, para isso, reúnem condições e capacidades pessoais, que antecipam o êxito da iniciativa que pretendem tomar.
O microcrédito tem a aparência de um pequeno crédito, que o é, mas é muito mais do que isso. Não basta ser pequeno para que o crédito seja microcrédito. Para que o seja tem que, adicionalmente, respeitar os seguintes pressupostos:
Quanto aos destinatários: são pessoas, que não têm acesso ao crédito bancário normal e desejam realizar um pequeno investimento, tendente à criação de um negócio através do qual pretendem criar o seu próprio emprego;
A iniciativa de investimento a que se propõem tem virtualidades para se poder vir a transformar numa actividade sustentável, capaz de gerar um excedente de rendimento e garantir, o reembolso do capital emprestado;
Tende a ser ilimitado o crédito de confiança estabelecido entre os empreendedores e a ANDC e vice-versa; estabelece-se uma espécie de contrato de confiança entre os microempresários e a ANDC; O processo do microcrédito não consiste apenas na atribuição do crédito; os candidatos têm a garantia de apoio na preparação do dossier de investimento e, após o financiamento, na resolução dos problemas com que se possam confrontar com o desenvolvimento do negócio.

Vídeo de Muhammad Yunus, acerca de microcrédito na barra lateral

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Programa Vida-Emprego

Os Objectivos
Visa permitir ao individuo equacionar a reinserção social e profissional como parte integrante do seu processo de tratamento, quer através da participação num estágio de integração sócio profissional, quer da criação do próprio emprego.
Medidas do Programa Vida-Emprego
Estágios de Integração Sócio-ProfissionalFormação prática em contexto de trabalho, com o objectivo de promover a integração dos seus destinatários na vida activa.
Apoios ao Auto-EmpregoApoiar os toxicodependentes em recuperação que criem o seu próprio emprego.
O Enquadramento Legal
Resolução do Conselho de Ministros nº 136/98 de 04-12
Para obter informação mais detalhada sobre o programa contacte o Centro de Emprego da sua área, ou dirija-se às Agências Regionais do Programa Vida-Emprego.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Luísa Sá

Foi há 20 anos que pisou, pela primeira vez, o chão de uma cadeia. Desde aí nunca mais abandonou os seus «meninos». Após muitos anos de voluntariado, que lhe valeram a Medalha de Mérito da Presidência da República, Luísa Sá ajuda agora a inserir reclusos na vida profissional. Mas mais do que isso, dá-lhes a mão, acredita neles, ajuda-os a encontrar uma vida, depois da prisão. Confiar e acreditar. São as duas principais premissas de Luísa Sá.
No gabinete do Centro Comunitário de Carcavelos, Luísa fala com Pedro que está há seis meses a trabalhar num quartel de bombeiros. Tudo corre bem com o trabalho. “A cabeça é que às vezes não anda bem”, confessa, de olhos no chão. “E quando é assim o que é que te disse para fazeres?”, pergunta Luísa, quase ofendida. “O que tens que fazer é ligar-me para falarmos, já sabes”.Mas pelo gesto da cabeça, que olha para o lado, percebe-se que Pedro não é homem para fazer isso, pedir ajuda. Outros fazem, garante Luísa Sá: “Alguns ficam em contacto comigo para sempre, ligam-me quando têm filhos, quando casam, no Natal”. É quase como uma família que vai crescendo, fruto de apoios e afectos.
Vida EmpregoEm 1998, Luísa foi convidada para ser mediadora do programa Vida Emprego (do Instituto de Emprego e Formação Profissional), na área de Lisboa e Vale do Tejo. O programa estende-se a todo o país mas dedica-se exclusivamente à reinserção profissional de ex-toxicodepentes.Só que os 15 anos de voluntariado na área dos prisionais, fizeram com que Luísa abrisse portas para uma colaboração directa com as prisões de Lisboa. Assim, e apenas em Lisboa e Vale do Tejo, o Programa Vida Emprego estende-se aos ex-toxicodependentes em liberdade condicional. “Eu já conhecia muito bem os meandros do sistema prisional, por isso foi fácil colaborar com as cadeias. Eles sinalizam-me a situação jurídica dos reclusos: os que vão passar ao Regime Aberto Virado para o Exterior (prisão condicional) e estão abstinentes das drogas”. Depois, mediante o perfil do recluso, Luísa escolhe uma entidade profissional que o possa receber. O programa Vida Emprego prevê um estágio de nove meses, com ordenado mínimo, e subsídio de alimentação e de transporte. Depois segue-se um contrato de um ano, também financiado pelo IEFP. E por fim, o recluso passa para os quadros da empresa empregadora. “A minha função, no meio de tudo isto, é garantir o sucesso da reinserção, junto do recluso, dos empregadores e dos técnicos prisionais”. Este sistema é um exemplo que, para Luísa, devia ser estendido às cadeias de todo o país. “Até agora, o acolhimento dos reclusos tem sido fantástico. Tanto da parte dos outros trabalhadores como dos superiores. O importante, acho, é mostrar que acreditamos neles”, explica. Luísa Sá luta para que o país e a sociedade percebam que estas pessoas erraram mas «merecem outra oportunidade». “Se a sociedade der uma pequena ajuda, as coisas equilibram-se. O indivíduo ganha auto-estima, a criminalidade diminui, a despesa do Estado também desce”, avisa. “Eu existo pelos reclusos, é a minha batalha”, confessa com o sorriso tranquilo, de alguém plenamente realizado.


Patrícia Maia [texto] José Frade [fotos]

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Boletim CNPV ao seu dispôr


Pode consultar aqui o último boletim (nº24) publicado pelo Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado.


Caso a caso

"A minha tragédia começou e acabou no século passado; em Janeiro deste novo “Millenium”, entrei por livre vontade num centro de reabilitação e reinserção de toxicodependentes, onde estive 22 meses até que conseguir atingir o objectivo final; finalizar os objectivos impostos, desintoxicação, adaptação, e reinserção – o tal projecto de vida que nos era constantemente exigido.

Saí do Centro a 10 de Setembro de 2001 e após 1 mês de procura, comecei a exercer funções numa empresa perto da minha casa, era o pesadelo transformado em alegria…

Totalmente limpo e livre, a pouco e pouco fui conquistando aquilo que na minha vida antiga estava fora do meu alcance… Era estranho pensar que há 3 anos estava a arrumar carros, e ver-me agora ,ali com um Mercedes na garagem, acordar no meu antigo quarto, que insisti em tudo remodelar sem sentir falta de outra coisa a não ser ir para a beira-mar e absorver a sua força ( o que antigamente achava uma perca de tempo). O que outrora achava enfadonho, tornou-se vital para manter o meu projecto de vida.

Por vezes, sentia alguma vergonha quando passava por pessoas a quem tinha feito mal, mas rapidamente a minha vitória contagiou outros e servia até de exemplo! – O orgulho são, vinha quando outras pessoas que já não davam nada por mim, agora me davam como referência aos seus filhos… Cheguei a ser requisitado por mães aflitas para ajudar os seus filhos! Sabendo eu que, deixar as drogas não é para quem pode mas para quem quer.

A minha família mudou tão radicalmente quanto eu…o alívio era mutuo e sentido, claro que deixar de ver a minha mãe verter lágrimas fazia parte do meu projecto…

Nunca pensei que após tanto tempo (anos) voltasse a vê-la chorar de desespero, o que me leva a condenar esta injustiça de que fui alvo.

Justiça seria em 1999 eu estar aqui a cumprir pena, e não 8 anos depois em 2007, depois de curado e reinserido na sociedade, a trabalhar, cortarem o tal projecto de vida ,com sérios custos para mim , para a minha família, e para o erário público.

Tudo podia estar perdido, mas não está, apesar desta punição transformada em perca de tempo, que castiga e sobrecarrega mais os meus familiares com responsabilidades que entretanto fui adquirindo, assim como os contribuintes pois são eles que pagam esta minha estadia.

Considero-me um falhado. Joguei a minha vida na heroína e a heroína acabou. Pelo menos para mim. Não são os falhados os detentores da força? Os que nunca falharam, levam com eles uma bomba atada à cintura sem saberem.

Por tudo isto, porque sentir remorsos por ter falhado? É o que nos pede a solidão da noite e o que nos prende ao chão de cada dia.

Para que esta dor fosse enorme, bastava toda a ternura que via nos olhos de minha mãe.

Assim, foi bom ter falhado, com ele foi-me dado a responsabilidade de conseguir usar o equilíbrio, a lógica, inteligência e AMOR.

Sou um jovem de 33 anos, longe de casa há mais de uma semana, há kilometros de tempo, fico por aqui voando …. Quando sonho é quando estou a dormir.

E aqui estou eu, à sombra do meu pensamento, onde uma longa fila de vontades esperam contra esta porta sempre trancada…"

Anthony Rolo

Newsletter do Centro Europeu de Voluntariado (CEV)

O Centro Europeu de Voluntariado (CEV), que o Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado integra,desde o ano de 2007,divulga a sua "newsletter"electrónica.

http://www.scribd.com/share/upload/8469285/fbd7pglhaelwmb9s8mg

Curso de reabilitação “estrada segura"

(...)Os reclusos condenados por excesso de álcool ou por falta de carta de condução vão poder frequentar um curso de reabilitação “estrada segura”, cujo objectivo é reduzir o elevado número de crimes associados ao Código da Estrada.O anúncio foi efectuado pela directora dos serviços prisionais, Clara Albino, numa entrevista recente à agência Lusa, revelando que “este tipo de crimes representa 50 por cento das condenações penais e muitas reincidências”.O programa é dirigido a reclusos condenados pela prática de crimes de condução de veículo em estado de embriaguez e/ou sob influência de estupefacientes ou substâncias psicotrópicas.Clara Albino adiantou que, anualmente, entre os reclusos que passam pelo sistema prisional, “cerca de 20 por cento sofrem dessa problemática isolada ou associada a outras”.O curso “estrada segura” é composto por diversos módulos que obedecem a objectivos específicos, tendo em conta a conduta criminal. Neste momento, o programa está em fase experimental. (...)Luis Pedro Silva

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Nº1 da Revista da D.G. Reinserção Social


ARTIGOS

Lúcia G. Pais
A reinserção social no diagrama disciplinarOusar integrar – revista de reinserção social e prova 2008 1: 9-19.
[Resumo] (pdf)


Celina Manita
Programas de intervenção em agressores de violência conjugalIntervenção psicológica e prevenção da violência doméstica
Ousar integrar – revista de reinserção social e prova 2008 1: 21-32.
[Resumo] (pdf)


Luísa Carrilho e Mafalda Alexandre
Preditores de comportamento desviante na adolescênciaValidação da escala PBI-Parental Bonding Instrument para a população portuguesa
Ousar integrar – revista de reinserção social e prova 2008 1: 33-39.
[Resumo] (pdf)


Vanda Silvestre Lourenço
Dos maus tratos ao estigmaUma análise ao discurso do recluso toxicodependente a realizar tratamento em unidade livre de droga
Ousar integrar – revista de reinserção social e prova 2008 1: 41-53.
[Resumo] (pdf)


Fernanda Rodrigues
Exclusão social e (re)inserção socialExplorando aprendizagens do/para o campo das políticas
Ousar integrar – revista de reinserção social e prova 2008 1: 55-63.
[Resumo] (pdf)


REFLEXÕES & COMENTÁRIOS

Paulo Guerra
Jurisprudência crítica Ousar integrar – revista de reinserção social e prova 2008 1: 67-77.


Nuno Franco Caiado
Contributos para a história do primeiro ciclo da vigilância electrónica (2002-2005) 1.ª parte Ousar integrar – revista de reinserção social e prova 2008 1: 79-95.


RECENSÃO

Ana Cristina Neves
A Psicologia da Conduta Criminal. Uma obra de referência para a reinserção social
Ousar integrar – revista de reinserção social e prova 2008 1: 99-101.

Revista Ousar Integrar



A Ousar Integrar – Revista de Reinserção Social e Prova é uma publicação quadrimestral, propriedade da Direcção-Geral de Reinserção Social (DGRS), serviço do Ministério da Justiça.

A Direcção-Geral de Reinserção Social tem como missão definir e executar as políticas de prevenção criminal e de reinserção de jovens e adultos, designadamente pela promoção e execução de medidas tutelares educativas e de penas e medidas alternativas à prisão.

A revista Ousar Integrar situa-se no contexto da missão da DGRS, dedicando-se às questões da prevenção da conduta e reincidência criminal e da reinserção social de jovens e adultos. Pretende ser um meio de divulgação dos progressos no domínio da investigação científica sobre a delinquência, entendida enquanto fenómeno multifactorial a cuja produção se encontram associados factores de natureza individual e social.

Destina-se a quem intervém na área da delinquência e da criminalidade em geral, nomeadamente aos operadores na área da justiça, procurando constituir um instrumento de informação/aprendizagem para os intervenientes nas diferentes fases dos processos judiciais, contribuir para a compreensão do fenómeno da criminalidade e das questões que se colocam à aplicação da lei e estimular a reflexão crítica sobre as práticas profissionais. Valorizando o conhecimento empírico, procura ser um elemento favorecedor da incorporação de diferentes formas de pensamento e do recurso a estratégias inovadoras diferenciadas na prevenção da delinquência e na intervenção junto dos agentes de crime, com vista à sua inserção e à prevenção da reincidência criminal.

A Ousar Integrar – Revista de Reinserção Social e Prova assume-se como uma revista científica, pretendendo promover uma aproximação entre os mundos académico e da praxis.

Para mais informações contactar: Ousar Integrar - Revista de Reinserção Social e ProvaDirecção-Geral de Reinserção Social Avª Almirante Reis, nº 101, 1150-013 Lisboa Tel. 213 176 100 Fax. 213 176 171 revista.ousarintegrar@dgrs.mj.pt

sábado, 31 de janeiro de 2009

Segurança e Responsabilidade Social na Prisão

Realizou-se no dia 29 de Janeiro de 09 um Seminário na Torre do Tombo, em Lisboa, cujo tema dissecado foi a Segurança e Responsabilidade social em meio prisional, tendo estado presentes Direcções de vários E.P.`s, representantes e coordenadores de produtos EQUAL, e representantes da DGSP.
Consulte o programa em:

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Justizzentrum Leoben - Austria

Deixo-vos fotos do Centro Jurídico Austríaco, que concentra Tribunal e Estabelecimento Prisional no mesmo edifício, dispondo ainda de outros serviços da mesma natureza.




















quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Howard Zehr fala sobre Justiça Restaurativa no Brasil



A Faculdade de Direito da USP recebeu, ontem, o professor Howard Zehr, referência mundial quando o assunto é justiça restaurativa. Em uma apresentação bem articulada e esclarecedora, ele comoveu a platéia. Hoje, o encontro é em Brasília. Depois, Zehr segue para Florianópolis e Porto Alegre. Confira, aqui, o conteúdo da palestra e as idéias desse especialista.


Durante pouco mais de uma hora, a platéia do auditório da Faculdade de Direito da USP assistiu atenta à palestra do professor norte-americano Howard Zehr - um dos pioneiros a falar sobre justiça restaurativa no mundo. Em seguida, muitos dos presentes pediram autógrafo e quiseram tirar fotos com ele. Talvez na tentativa de eternizar o clima de esperança e humanidade que Zehr transmite a quem escuta suas palavras.O professor contou que o conceito de justiça restaurativa é relativamente novo, começou a ser pensado há pouco mais de 30 anos, no Canadá, quando dois jovens bêbados destruíram 22 propriedades, entre casas e carros, em uma única rua.Na ocasião, o juiz responsável pelo caso questionou o que aconteceria se aqueles dois garotos fossem parar na cadeia: ninguém teria suas propriedades recuperadas, a sensação de insegurança permaneceria presente naquela rua e, provavelmente, os jovens não se dariam conta do que fizeram. Uma das sugestões, na época, foi de que os dois se encontrassem com as pessoas prejudicadas, assumissem a culpa diante delas e pedissem desculpas. Howard Zehr diz que, naquela época, não se sabia muito bem como fazer isso. De todo modo, o modelo tradicional de justiça começava a ser repensado.Hoje, o novo modelo é conhecido em quase todo o mundo. Na Nova Zelândia, um dos primeiros países a experimentar essa alternativa, o tribunal é considerado a última opção para quem comete um crime e, não, a primeira. Antes de tudo, é realizada uma conferência restaurativa - mesmo em casos de homicídio. O resultado, de acordo com Zehr, foi uma diminuição da carga do judiciário e da população carcerária.Para o professor, a justiça restaurativa é mais do que a implementação de um novo modelo justiça, trata-se de uma filosofia, uma cultura. Howard Zehr a compara a uma troca de lentes em uma câmera fotográfica: cada uma é capaz de captar a mesma imagem sob ângulos e perspectivas diferentes e produzir fotos completamente diferentes.NOVAS PERGUNTASUm dos pontos-chave da justiça restaurativa é criar oportunidades para que tanto a vítima quanto o infrator possam se recuperar. Na justiça retributiva - à qual estamos acostumados -, entende-se que o infrator cometeu um crime contra o Estado e as primeiras perguntas são: quem cometeu o crime? A que lei ele infringiu? Qual é a punição merecida?A justiça restaurativa começa propondo novas perguntas:- Quem sofreu o dano? - Quais são as necessidades dessa pessoa, nesse momento?- Quem vai supri-las e de que forma?É que o foco desse novo modelo está, acima de tudo, na vítima e em suas necessidades.A VÍTIMANormalmente, a vítima fica excluída do processo criminal e sequer é informada sobre as decisões do tribunal de justiça. E quando é convocada como testemunha, recebe um tratamento que leva muito pouco em conta o sofrimento em decorrência do crime, o que especialistas chamam de estresse pós-traumático.Com a justiça restaurativa, a vítima tem a oportunidade de se encontrar com o infrator e fazer todas as perguntas que quiser - evidentemente, sob mediação de uma pessoa treinada para isso e que conversa separadamente com as partes antes desse encontro. Várias das dúvidas da vítima, somente o ofensor saberá responder. Segundo Zehr, esse momento é muito importante para que ela consiga recuperar sua saúde mental."O que costuma acontecer é que a vítima imagina o infrator bem maior do que ele realmente é", diz o professor. Ela sonha com o que aconteceu, sente raiva, medo, desejo de vingança e tem necessidades de justiça.
"Quando a vítima é muito agressiva e sente muita necessidade de vingança, pode saber que sua necessidade de justiça não foi atendida" conta Zehr.Basicamente, a intenção da justiça restaurativa é proporcionar à vítima:SegurançaEla precisa saber que algo está sendo feito para que nem ela e nem outras pessoas passem por aquele trauma novamente.Respostas para suas perguntasNormalmente, as vítimas querem saber: Como você sabia que eu não estaria em casa naquele momento? E se eu estivesse em casa, o que teria acontecido? Por que você fez isso? Por que comigo?Quando o caso envolve a morte de um ente querido, elas também perguntam quais foram suas últimas palavras ou o que ele estava fazendo quando tudo aconteceu. Dizer o que estão sentindoA vítima sente uma necessidade de contar suas histórias e de fazer com que o infrator saiba o que estão passando por causa do crime. Essa é uma forma encontrada por elas de restaurar sua própria história e conseguir se recuperar.Recuperar a autoridade perdidaQuando se tem uma propriedade violada, a sensação é de que se perdeu as rédeas da própria vida. A vítima precisa sentir que ela recuperou o poder sobre suas coisas.Restituição por parte do infratorSeja por meio de indenização, da prestação de trabalhos comunitários e de um pedido autêntico de desculpas, é fundamental que o infrator se responsabilize pelo que fez e deixe claro para a vítima que a culpa não foi dela - já que muitas acreditam que são culpadas pelo que lhes aconteceu. Em alguns casos de atitudes racistas e violência doméstica, por exemplo, o contrato entre a vítima e o infrator consiste em uma mudança de comportamento por parte do segundo.As experiências restaurativas têm mostrado que quanto mais a vítima é envolvida e considerada no processo, mais ela sente que foi tratada com justiça. De acordo com Howard Zehr, a troca de presentes no Natal e o desejo de vingança são sentimentos que vêm da mesma necessidade: a de equilíbrio entre os dois lados, de um acerto de contas.Costuma-se envolver não só a pessoa atingida, como também sua família e a comunidade. Mesmo no caso de jovens de rua infratores, a presença de uma figura que lhe seja importante, pode contribuir muito para o sucesso do caso.No Canadá, há a experiência de círculos de paz, inspirada nos costumes indígenas locais. Essa é uma forma de toda a comunidade participar das decisões relativas ao crime de maneira organizada e democrática: cada um pode se manifestar quando estiver com o cachimbo na mão, que depois é passado a outra pessoa.O INFRATOROutro princípio forte da justiça restaurativa é a responsabilização do infrator e não sua punição. "Onde há dano, há obrigações. É preciso pensar maneiras de se consertar o que fez", defende o professor. A lógica do sistema tradicional de justiça é a negação: o Estado precisa provar que o réu é culpado. Ou seja, não importa o quão culpado ele seja, é preciso encontrar ferramentas para negar o que fez. E mesmo dentro da prisão, continua-se alegando inocência. Nesse caso, não existe responsabilização.Dentro da justiça restaurativa, a idéia é a de que o infrator tenha consciência do que fez, a quem feriu e quais foram as conseqüências dos seus atos. Há quem diga que a proposta é muito leve para os ofensores, mas Zehr garante que não. "É muito difícil encarar a vítima. Acompanhei membros de uma gangue nessa situação. Eles tremiam tanto que precisaram de um tempo para se recompor. Para eles, ir para a prisão era muito mais fácil".
SOB OUTRO ÂNGULOPor mais que o desejo seja de punir quem cometeu o crime a qualquer custo, é necessário se colocar no lugar desse ser humano - que é o infrator -, não para justificar seus atos, mas para atuar na raiz da questão.Howard Zehr afirma que a maioria dos ofensores já foram vítimas ou se sentem vítimas de alguma forma e vêem no crime uma resposta para isso. Quando o infrator é simplesmente punido, a idéia de vitimização é reforçada, com a imposição de um estigma de criminoso e, depois, de ex-presidiário. Estudos psiquiátricos demonstram que toda violência é um esforço para se fazer justiça ou para se desfazer uma injustiça. O professor defende que é preciso tirar a idéia de que quem cometeu um crime deve receber o que merece. Ele conta que o número de assassinatos nos EUA costuma crescer quando há muitas execuções de pena de morte. "A mensagem passada é de que está tudo certo em castigar quem fez mal a você".Com o tempo, os valores de respeito e vergonha ficam invertidos no "código das ruas". "Se o infrator experimenta que a justiça não é legítima, eles negam a vergonha que sentem e a transformam em respeito", explica Zehr. Para quem cometeu o crime, a condenação por uma entidade em que não acredita pode ser até motivo de orgulho perante outros infratores. Para o professor, a vergonha é uma emoção perigosa, que deve ser administrada e jamais imposta sobre os réus.Estudos sobre inteligência social afirmam que o cérebro humano, desde o nascimento, é programado para nos conectar com outras pessoas. Se essa conexão não é feita com os pais ou pessoas queridas, se há sofrimento de abuso ou negligência, as conexões neurais ficam distorcidas. O infrator, que provavelmente já foi desrespeitado inúmeras vezes na vida, é mais uma vez desrespeitado pelo sistema judiciário. O que a justiça restaurativa sugere é que haja respeito entre todos, porque respeito gera respeito. "Nada funciona melhor para reprogramar o cérebro do que a empatia. Quando o infrator entende a vítima - e vice-versa - estabelece-se uma relação entre seres humanos", diz Zehr. Isso não significa que a vítima tenha a obrigação de perdoar o infrator, ela pode perdoar ou não, mas, de todo modo, terá suas necessidades, inclusive de justiça, atendidas.E FUNCIONA?Estudos foram realizados sobre os efeitos da justiça restaurativa e mostram que, quando há políticas de mediação entre vítima e infrator, o numero de reincidência cai consideravelmente, sendo 1/3 menor do que o habitual entre os jovens.Entre os reincidentes, o grau do crime cometido posteriormente é menor. E quanto mais sério o crime, menor o grau de reincidência.O estresse das vítimas também diminuiu, com menor desejo de vingança e resultando em menos gastos com saúde pública. E vítimas e infratores apresentaram maior grau de satisfação."Mesmo que não haja efeitos sobre a diminuição do crime, só a ajuda à vítima já torna o sistema mais eficaz que o convencional", afirma o professor. Segundo ele, o novo sistema não é perfeito e há muita coisa que ainda não sabem.De todo modo, um dos maiores desafios da justiça restaurativa é pensar de maneira original. Constantemente chamado de utópico, Howard Zehr finalizou a palestra com um desejo: "Um dia, não será preciso chamá-la de justiça restaurativa, mas apenas de justiça".
Por Thays Prado - Edição: Mônica NunesPlaneta Sustentável - 08/04/2008

Encontro Luso-Hispânico

Está agendada para os dias 17 e 18 de Abril de 2009, no Seminário em Évora, a realização do Encontro de Voluntários portugueses e espanhóis, cujo tema se prende com a Formação de Voluntariado, organizado pela Pastoral Carcerária.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Por hoje, todos os dias...!


TESTEMUNHO de Cristina Berenguel

"Chamo-me Cristina, tenho 39 anos, hoje posso dizer que a vida me sorri e eu sorrio para ela, mas nem sempre foi assim….
Com 12 anos experimentei a 1ª droga. Aos 18 anos já fazia parte da minha vida. Casei e tive um filho, mas continuei mesmo assim a pôr a droga em primeiro lugar, nada nem ninguém me demovia do caminho que tinha escolhido.
Não parava em trabalho nenhum, fiz um curso de vitrinista, mas de nada me valeu. Até que o dinheiro nunca chegava para manter o vicio, e claro comecei a roubar, o difícil foi a primeira vez, depois já o fazia como se de um trabalho se tratasse e, claro que viver assim durante anos me levou à prisão pela 1ª vez, tinha 25 anos.
Quando saí poucos meses depois lá estava eu de novo a ir ao encontro da minha obsessão “a droga”. Aí foi a degradação completa como ser humano, continuei a roubar, prostitui-me, vivi na rua, para mim todo o tempo que não fosse a consumir drogas era tempo perdido.
Perdi a dignidade , o amor próprio. Fiquei grávida e abandonei o meu filho com 8 horas de vida na maternidade, para ir ao encontro das drogas. Fiz tudo aquilo que sempre disse que a mim não me aconteceria .
E mais uma vez vou parar à prisão, já com 36 anos. Estava no fundo do poço. E por irónico que pareça foi o melhor que me aconteceu, senão estaria morta nesta altura.
Finalmente pude parar para ver o que tinha feito com a minha vida, com os meus filhos!
E aceitei que precisava de ajuda, pois sozinha não conseguia.
Fui para a U.L.D.( Unidade Livre de Drogas). Foi ali que comecei novamente a acreditar em mim, encontrei pessoas que me ajudaram (voluntárias da FIAR), até aqui eu nunca tinha aceitado ajuda de ninguém.
Não foi fácil, a prisão é dura, ali acabei por dar valor à vida, à liberdade, chorei muitas noites, pelo tempo perdido, por ter magoado as pessoas que mais amava, a minha mãe foi uma delas. Ali senti que havia pessoas que acreditavam em mim, e a luz no fundo do túnel apareceu e eu agarrei-me a ela com unhas e dentes.
O com a ajuda da FIAR, o Projecto “Vida e Emprego” arranjou-me trabalho e já lá vão dois anos que o mantenho, tenho uma família que me apoia, estou a conquistar os meus filhos, e tenho novos amigos.
Vivo um dia de cada vez, tentando ser melhor todos os dias. Hoje tenho uma vontade louca de viver, de ser feliz. É bom estar deste lado da vida. Posso dizer que é possível deixar uma vida de que fomos escravos. Não posso mudar o meu passado, mas hoje posso fazer um futuro melhor, basta ACREDITAR. "

Violência doméstica: agressores devem cumprir pena em prisões especiais


A procuradora-geral adjunta Cândida de Almeida defendeu hoje a criação de núcleos especiais nas prisões para acolher condenados do crime de violência doméstica.Cândida de Almeida falava hoje numa conferência sobre "Violência Doméstica - Perspectivas Actuais", no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna, em Lisboa. O agressor, defendeu, deve ser acompanhado, pelo que a punição de um crime de violência doméstica não deve ser cumprida num espaço onde se encontram presos por tráfico de droga ou outro tipo de crimes. Segundo Cândida de Almeida, directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), o legislador deve adaptar as cadeias às questões especiais, como considerou ser o caso da violência doméstica. "Este agressor que bateu na pessoa de quem diz gostar não deveria ser colocado numa prisão normal. Não é assim que vai alterar o seu comportamento", disse a procuradora-geral adjunta. Por outro lado, Cândida de Almeida considera que os estabelecimentos prisionais portugueses estão longe do ideal em matéria de dignidade humana. Já no que respeita às vítimas de violência doméstica, a magistrada defendeu que deve ser evitada a dupla vitimização. A vítima, explicou, deve ser poupada a sucessivas inquirições e deve ser ouvida num ambiente agradável. Nos últimos oito anos foram registados 132 mil casos de vítimas de violência doméstica em Portugal, segundo dados recentemente divulgados pelo Governo. Só nos primeiros seis meses de 2008, a violência doméstica foi responsável por quatro mortes em Portugal, divulgou, entretanto, a APAV. Além dos quatro homicídios, a Associação e Apoio à Vítima (APAV) registou 2.332 situações de maus-tratos físicos, 2.640 de maus-tratos psicológicos e 1.557 casos de ameaças-coacção.Estatuto de vítima será reconhecido a partir da queixaO Governo aprovou a 15 de Janeiro a versão final da proposta para reforçar o combate à violência doméstica, que prevê que o agressor pode ser detido fora de flagrante delito e a utilização de meios electrónicos para controlo à distância dos arguidos. De acordo com a proposta, pela primeira vez define-se um "estatuto de vítima de violência doméstica", que será "reconhecido no momento de apresentação de uma queixa fundamentada" e que consagra um quadro de direitos e deveres, não só no âmbito judicial. Por outro lado, e tendo como finalidade a protecção das vítimas de violência doméstica, prevê-se a possibilidade de recurso a meios técnicos de controlo à distância dos arguidos, bem como "a possibilidade de protecção da vítima com recurso a meios técnicos de teleassistência". Na vertente jurídico-penal, consagra-se a natureza urgente dos processos relativos à violência doméstica, assim como "a criação de medidas urgentes de protecção, aplicáveis nas 48 horas subsequentes à notícia do crime".

28.01.2009 - 18h49 Lusa

Focus on Reform and Prisoner Rehabilitation in Mozambique

In October, the National Prison Service of Mozambique held a two-day, multi-stakeholder workshop exploring the issues of prison reform, prisoner rehabilitation and reintegration. The goals were to raise awareness and advocate for a new approach that would include both government and civil society organizations working in partnership. In the spirit of such partnership, PF Mozambique took on an organizing role with the workshop and drew upon contacts and resources of other PF national ministries.
The first session featured a presentation by Area Commissioner Walter Mashiya from Leewkop Correctional Centre in South Africa. He described the work done at Leewkop to develop a centre of excellence in prisoner rehabilitation and prison management. This included the process developed by the South African government and published in The White Paper on Corrections.In the second session, Valdeci Ferreira, Executive Director of PF Brazil, provided an overview of the APAC methodology. He discussed the success of the methodology in creating an environment conducive to prisoner transformation and lower recidivism. Valdeci reported that he answered questions for two hours and was subsequently invited by the National Commissioner of Prisons, Dr. João Zeferino Zandamela, to collaborate on the development of a strategy for prison reform in Mozambique. The workshop closed with the Commissioner outlining next steps and principles to be used in developing such a strategy.In a thank you letter, Dr. Zandamela said, “I must advance that the positive outcome of this seminar is truly a reflection of the relationship we have with PFI/PF Mozambique as our privileged partner.”
December 2008

Direcção

Direcção

Mensagem de boas-vindas

"...Quando um voluntário é essencialmente um visitador prisional, saiba ele que o seu papel, por muito pouco que a um olhar desprevenido possa parecer, é susceptível de produzir um efeito apaziguador de grande alcance..."

"... When one is essentially a volunteer prison visitor, he knows that his role, however little that may seem a look unprepared, is likely to produce a far-reaching effect pacificatory ..."

Dr. José de Sousa Mendes
Presidente da FIAR