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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Reinserção social vai manter-se nos mesmos moldes


O ministro da Justiça, Alberto Martins, garantiu esta sexta-feira que a política de Reinserção Social vai manter-se nos mesmos moldes, apesar da fusão da Direcção-geral que a tutela com a Direcção-geral dos Serviços Prisionais (DGSP).«A política de Reinserção Social, tal como vem sendo praticada, tal está organizada, vai ser mantida», disse o titular da pasta da Justiça, de acordo com a Lusa.Para Alberto Martins, a Reinserção Social «é um valor essencial» e a fusão da DGSP e da Direcção-geral da Reinserção Social tem como finalidade exclusiva «melhorar a qualidade organizativa, quer dos Serviços Prisionais, quer da Reinserção Social, no sentido de aprofundar as sinergias».Subsiste, assegura o ministro, «uma ideia muito nítida», a da separação das políticas penal geral e das de tutela educativa ¿ a Justiça aplicada a menores.«Há competências distintas em áreas distintas», acrescentou Alberto Martins, sublinhando que esta solução orgânica «é seguida na generalidade dos países europeus», como Espanha, França, Alemanha ou Itália.Referindo-se à Escola Profissional Infante D. Henrique, que visitou e que é co-tutelada pelo Ministério da Justiça e pelo da Educação, Alberto Martins deu-a como «uma aposta clara na Reinserção Social, quer pela educação, quer pelo trabalho, quer pela formação profissional, basicamente nas valências da restauração».A Escola Profissional Infante D. Henrique tem como objectivo a promoção da formação pessoal, escolar e profissional de 230 jovens, parte deles em cumprimento de medida tutelar educativa pela práctica de pequenos delitos.«É uma experiência profissional particular no sentido de favorecer a integração social de jovens que, em parte, têm problemas e que, por isso, merecem um acompanhamento especial da sociedade, no sentido de poderem regressar a uma vida social normal», declarou o ministro.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Trabalho comunitário é castigo para 241 menores




Dados da Reinserção Social revelam quantos adolescentes estão a limpar paredes e a ajudar autarquias e bombeiros por terem praticado crimes, alguns dentro das escolas.


No País há neste momento 241 adolescentes, entre os 12 e os 16 anos, castigados com trabalho comunitário, segundo dados Direcção-Geral de Reinserção Social a que o DN teve acesso. Grande parte das penas é pintar paredes e muros sujos ou vandalizados com grafitti, limpar jardins, ajudar na conservação de museus, realizar actos administrativos nas câmaras e apoiar os bombeiros voluntários.
Os castigos estão previstos na Lei Tutelar Educativa e são apli- cados pelo Tribunal de Família e Menores, ou pelos tribunais de competência especializada, que podem decidir por penas mais gravosas, como o internamento em centros educativos.
A lei ainda possibilita outras respostas: o acompanhamento educativo ou a imposição de obrigações que visem o aproveitamento escolar.
Daqueles 241, a Delegação Regional de Lisboa da Direcção- -Geral de Reinserção Social é a que tem mais casos -119 . Os restantes processos estão distribuídos pela Delegação Regional Norte (87), Delegação Regional Centro (17), Delegação Regional do Alentejo (7), Direcção Regional do Algarve (4), Delegação Regional da Madeira (4), Delegação Regional dos Açores (3).
A Lei Tutelar Educativa define ainda a possibilidade de serem aplicadas penas até o jovem ter 21 anos, momento em que "cessa obrigatoriamente".
Os problemas e os delitos não passam, apenas, pelo ambiente escolar. Entre os castigados há estudantes que cometeram alegados crimes na escola, como sucedeu recentemente na secundária de Penacova (ver caixa), mas também jovens criminosos.
Segundo fonte da DGRS, a maioria dos jovens que estão a realizar a favor da comunidade, no âmbito de medidas tutelares educativas, foram condenados por furto simples (em maior número), furto qualificado e roubo. Os restantes "são crimes contra as pessoas (com frequência, ofensa contra a integridade física) e condução de viaturas sem carta.
Depois de condenados, o juiz dispõe de uma bolsa de 300 entidades "sem fins lucrativos" (públicas ou privadas), desde escolas, instituições particulares de solidariedade social, organizações não governamentais, que se disponibilizam a receber estes jovens. Segundo a mesma fonte da DGRS, "as Entidades Beneficiárias de Tarefas [assim designadas por lei] são maioritariamente, bombeiros sapadores e voluntários, juntas de freguesia, câmaras municipais, ATL e clubes juvenis".
As tarefas a favor da comunidade são consideradas na lei uma "forma pedagógica de promover o sentido de responsabilidade e a (reinsersão social de jovens infractores". A escolha da tarefa conta com o parecer em tribunal de técnicos da Reinserção Social, mas,
A sanção aplicada não pode porém durar mais de 60 horas, e não pode exceder três meses de duração. Para o correcto cumprimento desta medida emanada pelo juiz, os menores não podem ocupar com estas tarefas comunitárias mais de dois dias por semana, três horas por dia.
A lei permite a execução das tarefas ao fim-de-semana e feriados. São jovens que, por um comportamento ilícito não são institucionalizados e a quem se pede que possam ressarcir a sociedade da sua infracção.
A lei é, no entanto, taxativa: As actividades "não podem lesar a dignidade, devem ter em conta as características do jovem e não devem interferir com outras actividades importantes, nomeadamente a frequência escolar e/ou profissional". Com esta resposta judiciária, os tribunais dão uma segunda hipótese a quem entra no mundo ilícito criminal tão precocemente.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

"Meninos de Ninguém": um olhar sobre os jovens delinquentes

Livro da jornalista Ana Cristina Pereira explora dezoito casos de jovens delinquentes. Uma parte desses jovens foi reinserida na sociedade.
"Contextualizar" é , segundo Ana Cristina Pereira, o elemento chave para se entender os jovens delinquentes. A jornalista do "Público" e autora de "Meninos de Ninguém" não pretende desculpabilizar os jovens que retrata nas estórias do seu livro, mas sim perceber que "ninguém é naturalmente bom, ninguém é naturalmente mau".
Apresentado, esta quarta-feira, no Centro Educativo de Santo António, no Porto, "Meninos de Ninguém" é um livro onde a jornalista reúne dezoito estórias sobre jovens desprotegidos inseridos em meios problemáticos, o que acaba por resultar, em alguns casos, em delinquência. Uma das estórias é inédita e as restantes dezassete já foram publicadas no "Público" e encontram-se aprofundadas na obra editada pela Ulisseia.
De modo a entender o ambiente onde os jovens se inserem, "foi necessário dispor de algum tempo", algo que Ana Cristina Pereira classifica como "escasso" nas redacções nacionais. "Um jornalismo que faz falta", acrescentou David Pontes, director adjunto da agência Lusa.
As estórias partilhadas em "Meninos de Ninguém" são vividas no terreno e não a partir da secretária, pois como Ana Cristina Pereira acrescenta "não se faz reportagem recorrendo às ferramentas sociais associadas a uma certa ideia de jornalismo de futuro".
Sucesso da reinserção dos jovens “tem vindo a aumentar”
Para Leonor Furtado, directora geral da Direcção-Geral de Reinserção Social (DGRS, essa aproximação resulta numa "oportunidade de partilhar o olhar dos serviços de inserção sobre o comportamento dos jovens delinquentes do nosso país".
Leonor Furtado está ainda convencida que o sucesso dos programas de reinserção "tem vindo a aumentar. Temos cada vez mais a referência de jovens que passaram por nós e que efectivamente agarraram a oportunidade que lhes foi dada", refere a responsável, exemplificando com os jovens envolvidos no caso Gisberta (transsexual assassinada, no Porto, em 2006): "Apenas um dos onze jovens que cumpriram medidas no nosso serviço voltou a reincidir".
Segundo a responsável, o comportamento de uma pessoa é influenciado pelo ambiente em que se inserem. "Um jovem que não tenha apoio de pessoas que gostem dele, que o acarinhem e que lhe dêem valores, que não conhece outra forma de vida senão aquela, vai repetir esses padrões", defende.
Ana Cristina Pereira termina o livro fazendo com a estória bem-sucedida de Rubén, um dos rapazes envolvidos no caso Gisberta, fazendo um contraponto com a primeira estória do livro tamém sobre um dos rapazes envolvidos nesse caso, como Ana Cristina Pereira diz "parece ter perdido a capacidade de sentir". Em todo o caso o livro termina com a mensagem de que "há várias saídas possíveis". A jornalista espera que estes "Meninos de Ninguém sejam os meninos de todos nós".
Por Melanie Antunes - jpn@icicom.up.pt

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Nº1 da Revista da D.G. Reinserção Social


ARTIGOS

Lúcia G. Pais
A reinserção social no diagrama disciplinarOusar integrar – revista de reinserção social e prova 2008 1: 9-19.
[Resumo] (pdf)


Celina Manita
Programas de intervenção em agressores de violência conjugalIntervenção psicológica e prevenção da violência doméstica
Ousar integrar – revista de reinserção social e prova 2008 1: 21-32.
[Resumo] (pdf)


Luísa Carrilho e Mafalda Alexandre
Preditores de comportamento desviante na adolescênciaValidação da escala PBI-Parental Bonding Instrument para a população portuguesa
Ousar integrar – revista de reinserção social e prova 2008 1: 33-39.
[Resumo] (pdf)


Vanda Silvestre Lourenço
Dos maus tratos ao estigmaUma análise ao discurso do recluso toxicodependente a realizar tratamento em unidade livre de droga
Ousar integrar – revista de reinserção social e prova 2008 1: 41-53.
[Resumo] (pdf)


Fernanda Rodrigues
Exclusão social e (re)inserção socialExplorando aprendizagens do/para o campo das políticas
Ousar integrar – revista de reinserção social e prova 2008 1: 55-63.
[Resumo] (pdf)


REFLEXÕES & COMENTÁRIOS

Paulo Guerra
Jurisprudência crítica Ousar integrar – revista de reinserção social e prova 2008 1: 67-77.


Nuno Franco Caiado
Contributos para a história do primeiro ciclo da vigilância electrónica (2002-2005) 1.ª parte Ousar integrar – revista de reinserção social e prova 2008 1: 79-95.


RECENSÃO

Ana Cristina Neves
A Psicologia da Conduta Criminal. Uma obra de referência para a reinserção social
Ousar integrar – revista de reinserção social e prova 2008 1: 99-101.

Revista Ousar Integrar



A Ousar Integrar – Revista de Reinserção Social e Prova é uma publicação quadrimestral, propriedade da Direcção-Geral de Reinserção Social (DGRS), serviço do Ministério da Justiça.

A Direcção-Geral de Reinserção Social tem como missão definir e executar as políticas de prevenção criminal e de reinserção de jovens e adultos, designadamente pela promoção e execução de medidas tutelares educativas e de penas e medidas alternativas à prisão.

A revista Ousar Integrar situa-se no contexto da missão da DGRS, dedicando-se às questões da prevenção da conduta e reincidência criminal e da reinserção social de jovens e adultos. Pretende ser um meio de divulgação dos progressos no domínio da investigação científica sobre a delinquência, entendida enquanto fenómeno multifactorial a cuja produção se encontram associados factores de natureza individual e social.

Destina-se a quem intervém na área da delinquência e da criminalidade em geral, nomeadamente aos operadores na área da justiça, procurando constituir um instrumento de informação/aprendizagem para os intervenientes nas diferentes fases dos processos judiciais, contribuir para a compreensão do fenómeno da criminalidade e das questões que se colocam à aplicação da lei e estimular a reflexão crítica sobre as práticas profissionais. Valorizando o conhecimento empírico, procura ser um elemento favorecedor da incorporação de diferentes formas de pensamento e do recurso a estratégias inovadoras diferenciadas na prevenção da delinquência e na intervenção junto dos agentes de crime, com vista à sua inserção e à prevenção da reincidência criminal.

A Ousar Integrar – Revista de Reinserção Social e Prova assume-se como uma revista científica, pretendendo promover uma aproximação entre os mundos académico e da praxis.

Para mais informações contactar: Ousar Integrar - Revista de Reinserção Social e ProvaDirecção-Geral de Reinserção Social Avª Almirante Reis, nº 101, 1150-013 Lisboa Tel. 213 176 100 Fax. 213 176 171 revista.ousarintegrar@dgrs.mj.pt

Direcção

Direcção

Mensagem de boas-vindas

"...Quando um voluntário é essencialmente um visitador prisional, saiba ele que o seu papel, por muito pouco que a um olhar desprevenido possa parecer, é susceptível de produzir um efeito apaziguador de grande alcance..."

"... When one is essentially a volunteer prison visitor, he knows that his role, however little that may seem a look unprepared, is likely to produce a far-reaching effect pacificatory ..."

Dr. José de Sousa Mendes
Presidente da FIAR