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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Exposição desvenda Estabelecimento Prisional de Coimbra

Desvendar o "espírito do lugar" do Estabelecimento Prisional de Coimbra (EPC) através das imagens do interior da prisão e do que sugerem em termos da vivência quotidiana, é possível através da exposição "INTRO", ali patente até dia 30.
Da autoria de Pedro Medeiros, "INTRO" compreende 20 imagens impressas e 88 incluídas numa instalação vídeo, num conjunto que visa "estabelecer o diálogo entre o património e a memória histórica e o que é uma visão contemporânea do edifício", que está a celebrar 120 anos, convidando a "um salto para dentro" deste espaço de reclusão situado "no coração da cidade".
"Um objectivo essencial é termos uma leitura de um edifício que, ironicamente, está plantado no coração da cidade, um edifício com o qual convivemos diariamente. A nossa intenção é que se possa dar um salto para dentro [desse espaço]", disse Pedro Medeiros à agência Lusa.
Imagens das alas e celas dos reclusos, da área de isolamento ou do gabinete de revista, articulam-se com fotografias de outros espaços da Penitenciária, como o refeitório, a barbearia, as oficinas, a alfaiataria ou a biblioteca.
"INTRO" conduz-nos pelo espaço arquitectónico do EPC - celas, corredores, refeitório, barbearia, oficinas, balneário, recreio, gabinete de revista aos reclusos - e, em certa medida, reporta-nos também à sua componente vivencial. Contudo, Pedro Medeiros mostra-nos esta componente humana de modo sugerido, não efectivo. Trata-se, na sua esmagadora maioria, de imagens de espaços vazios - mesmo quando vistos pelo lado de fora, público - nos quais se adivinham vida, acções, conversas, trabalho, descanso, solidão. É o olhar que confere espaço à imaginação de vida num edifício oitocentista, imponente e congelado no tempo", refere a curadora da exposição, Isabel Nogueira.
A exposição, que pode ser visitada mediante marcação prévia junto do EPC, tira partido de dimensões e objectos museológicos do edifício oitocentista - como o próprio local onde está patente, no túnel que funcionou no passado como o local de entrada dos reclusos na prisão - ou a diligência centenária colocada no acesso.
"O que pretendemos foi uma narrativa visual sobre o espírito do lugar e não sobre os reclusos", adiantou Pedro Medeiros.
Realizada durante um ano com o apoio e acompanhamento da direcção do EPC, a missão fotográfica resulta "numa obra de visão autoral cuja intenção é a criação de um espaço de reflexão sobre os vários aspectos que identificam a memória e o espírito deste lugar: por um lado, o seu património histórico e arquitectónico, por outro, uma leitura dos principais locais desta instituição prisional, da sua disciplina de organização e do seu modo de funcionamento intramuros".
Da diversidade de espaços retratados na exposição estão ausentes, na grande maioria, as pessoas, tendo Pedro Medeiros inserido no conjunto de imagens impressas apenas uma fotografia com a mão de um recluso.
"Queria um elemento de humanização e também expressivo que exemplificasse a marca de reclusão, um punho fechado, em tensão, com uma tatuagem com cinco quinas, simbólica para os reclusos", explicou o artista.
Inaugurada no passado dia 31 de Outubro, a exposição surge associada ao lançamento de um livro, de edição limitada a 120 exemplares, com encadernação manual e acabamentos realizados por reclusos na Oficina de Encadernação do EPC.
dn.sapo.pt

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Formação de 226 guardas das prisões inicia-se em Setembro, anuncia ministro da Justiça

O ministro da Justiça, Alberto Costa, afirmou hoje que em Setembro iniciam a sua formação 226 novos guardas prisionais, anunciando para breve "mais um descongelamento que permitirá novas incorporações nos próximos dois anos".O titular da pasta da Justiça discursava nas comemorações do Dia dos Serviços Prisionais e do seu Pessoal, que decorreu hoje no Estabelecimento Prisional de Coimbra. Ao sublinhar algumas "marcas muito positivas atingidas neste sector", Alberto Costa considerou que o sistema prisional português "vai na boa direcção", encontrando-se "mais próximo da sociedade" e com níveis de segurança "mais elevados". "Observámos no último ano o mais baixo número de evasões dos últimos dez anos. Em 1998 ocorreram 131 evasões e 18 em 2008", disse o governante, que se referiu também, entre outras vertentes, ao processo de reorganização do sistema prisional e à aprovação, em breve, do Código de Execução das Penas e das Medidas Privativas da Liberdade. Na sua intervenção, o ministro da Justiça vincou o reconhecimento da "enorme importância" do contributo do pessoal dos Serviços Prisionais para a "vida individual e colectiva". "Nem sempre a sociedade valoriza como deveria o vosso trabalho e até a própria missão do sistema prisional. Sei que este último ano foi de acrescida exigência, de especial esforço de preparação para um mais qualificado desempenho das tarefas. Quero homenagear esse esforço e reconhecer que é com contributos assim que se edifica um sistema prisional moderno, capaz de levar a cabo a missão que a sociedade de hoje lhe entrega", sublinhou Alberto Costa.Sindicato descontenteAo intervir na cerimónia, a directora-geral dos Serviços Prisionais, Clara Albino, considerou existirem "boas razões para comemorar este ano que passou, porquanto muito e bom trabalho foi realizado em prol de um sistema prisional mais humano, seguro e inclusivo". Entretanto, o Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional está a organizar hoje, também em Coimbra, uma comemoração "alternativa" do Dia dos Serviços Prisionais, marcada pelo descontentamento em relação ao estatuto da classe, à falta de pessoal e de condições de trabalho, e entregou já um pré-aviso de greve em Julho. "Não queria comentar atitudes ou iniciativas que não conheço. Não queria com nenhuma espécie de comentário contribuir para gerar ou alimentar litígios. Gostaria que tudo decorresse num clima de diálogo, num clima em que não houvesse perturbação de serviços essenciais como são os que aqueles serviços prisionais prestam à sociedade", reagiu Alberto Costa, em declarações aos jornalistas à margem das comemorações.
publico.clix.pt

Direcção

Direcção

Mensagem de boas-vindas

"...Quando um voluntário é essencialmente um visitador prisional, saiba ele que o seu papel, por muito pouco que a um olhar desprevenido possa parecer, é susceptível de produzir um efeito apaziguador de grande alcance..."

"... When one is essentially a volunteer prison visitor, he knows that his role, however little that may seem a look unprepared, is likely to produce a far-reaching effect pacificatory ..."

Dr. José de Sousa Mendes
Presidente da FIAR